O homem entrou no banheiro do aeroporto. Foi até a pia mais distante e abriu a torneira, deixando que a água gelada jorrasse. Por três vezes levou a água ao rosto. Olhou para baixo, parou.
Suas mãos não eram mais as suas. Os dedos longos e gelados moviam-se a seu comando, mas não se lembrava deles. Levantou o rosto molhado para o espelho e o examinou. Pequenas ruguinhas já começavam a se formar nos cantos dos olhos castanhos. Nas têmporas alguns fios brancos já estavam comprometidos a tentar descolorir o negro. Pensou em sorrir para si mesmo, mas sua boca não se curvou. Contentou-se em continuar fitando o querido estranho com o mesmo tom seriamente divertido.
A mala surrada jazia imóvel no chão desbotado ao lado da pia. No bolso da frente, um pedacinho de lenço tentava inutilmente escapar, ao qual ele desprende um mero dar de ombros: ‘Que fique onde está’.
Voltou lentamente a focar-se. A imagem refletida não coincidia com sua imaginativa imagem de si. Como poderiam ser tão distoantes? Os poucos fios grisalhos, a barba por fazer, até mesmo aquelas benditas linhas a emoldurar o castanho: outra pessoa.
Secou-se. Apanhou a mala do chão, colocou-a no ombro. Com a mão na maçaneta, lança um último olhar apressado à miragem. Não se reconhece.
Fecha a porta e une as suas às dezenas de pernas que circulam pelo corredor.
O lenço no bolso da frente se solta, planando acima do chão. O homem nada percebe: está olhando para baixo, para os sapatos marrons puídos que ele absortamente tenta ritmar aos tantos outros pés.
O lenço finalmente cai no azulejo.
O homem desaparece na multidão.
Suas mãos não eram mais as suas. Os dedos longos e gelados moviam-se a seu comando, mas não se lembrava deles. Levantou o rosto molhado para o espelho e o examinou. Pequenas ruguinhas já começavam a se formar nos cantos dos olhos castanhos. Nas têmporas alguns fios brancos já estavam comprometidos a tentar descolorir o negro. Pensou em sorrir para si mesmo, mas sua boca não se curvou. Contentou-se em continuar fitando o querido estranho com o mesmo tom seriamente divertido.
A mala surrada jazia imóvel no chão desbotado ao lado da pia. No bolso da frente, um pedacinho de lenço tentava inutilmente escapar, ao qual ele desprende um mero dar de ombros: ‘Que fique onde está’.
Voltou lentamente a focar-se. A imagem refletida não coincidia com sua imaginativa imagem de si. Como poderiam ser tão distoantes? Os poucos fios grisalhos, a barba por fazer, até mesmo aquelas benditas linhas a emoldurar o castanho: outra pessoa.
Secou-se. Apanhou a mala do chão, colocou-a no ombro. Com a mão na maçaneta, lança um último olhar apressado à miragem. Não se reconhece.
Fecha a porta e une as suas às dezenas de pernas que circulam pelo corredor.
O lenço no bolso da frente se solta, planando acima do chão. O homem nada percebe: está olhando para baixo, para os sapatos marrons puídos que ele absortamente tenta ritmar aos tantos outros pés.
O lenço finalmente cai no azulejo.
O homem desaparece na multidão.
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