Minha avó, que saía pelo mundo e me levava junto nos ônibus que subiam a Rebouças, soube despertar desde muito cedo o amor por museus no meu coração de criança. Aos sete anos, eu já tinha pintor e tela favorita – Rosa e Azul, de Renoir. Não porque reconhecesse a expressão imensa do seu trabalho, mas porque vovó dizia que era eu e minha irmã. A ideia de que ele pudesse saber que viríamos a existir me fazia achá-lo o artista mais sensível do mundo. Ela, no entanto, nunca me levou às margens do Ipiranga. E das quase dez escolas que estudei também nenhuma promoveu nosso encontro. Ficou o primeiro contato entre o museu e eu (uma candidata à estagiária de 20 anos com frio na barriga e sapatilhas emprestadas) para o dia da entrevista. E como me senti, subindo a rampinha lateral, foi intimidada. Pelas colunas, balaustradas e folhas de acanto que eu viria a estudar depois. Nunca esqueci essa sensação primeira, que permeou todo meu trabalho como educadora – essa necessidade fund...