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Mostrando postagens de 2010
estranha sensação de equilibrar formas e cores, sem ser capaz de dizer exatamente que espécie de harmonia estou tentando criar.
estão na cama. ele, deitado de costas com os braços cruzados atrás da nuca, sorri para ela de olhos fechados, enquanto ela, sentada de pernas de índio ao lado dele, ri de alguma coisa qualquer que ele tenha acabado de contar. ela, de repente, decide ser sua vez de falar algo. começa a formar uma frase, muda de ideia no meio do caminho, inicia outra completamente díspar e afinal, acaba por enunciar um grunhido ininteligível, confluência de todas as coisas que queria dizer naquele momento. ele olha para ela, sorri, repete o que ela acabou de dizer e cai na gargalhada. ela sorri de volta, tentando disfarçar o constrangimento que ele achou tão divertido. se ele apenas soubesse tudo que ela quis dizer com aquele único instante.
Essas pessoas todas tolas toscas eu já conheço adaptáveis moldáveis sociáveis de diferentes acabamentos externos recicláveis caixas altas ou baixas de vários formatos sem aparentes avarias iguaizinhas porém vazias. Cristiano Perotta de Oliveira
Ela segue. Não mais triste, nem mais feliz. Com os olhos acordados de uma criança que percebe o mundo ao qual, agora, pertence. Por vezes ama, ocasionalmente odeia, vez ou outra se entrega à solidão. Dá carinho com a mesma facilidade com que depois o esquece. Respira o dia com a paz agitada de quem sabe a finitude de sua rotinazinha café-com-leite.
o seu gosto na boca, o sol que entra pelas frestas da janela iluminando os lençóis revirados e a velha mancha de vinho no seu travesseiro. pego a xícara que você me estende e sorrio pra mim mesma enquanto as mãos ficam quentinhas. ai, o gosto de café na boca, o beijo no pescoço, aquele cheiro misturado que não sei se meu ou seu. olho bem fundo nos seus olhos e o mundo gira mais devagar. ou talvez eu não gire com ele. ah, o gosto de menta na boca! o 'bom dia' sonolento, a janela se abrindo...
chovia? juro que não lembro, faz tanto tempo se tomávamos um café ou líamos um livro mas sei que era bom, tinha gosto de canela. um sofá puído, um sorriso regados à papo-furado, confissões e chocolate na panela.
a pequena sombra que o meu tênis fazia no paralelepípedo. sentada em um meio-fio qualquer estendi o dedo e desenhei cuidadosamente seu contorno no ar, gravando-a. sorri. tão etérea tão momentânea e tão intimamente minha.