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estão na cama.
ele, deitado de costas com os braços cruzados atrás da nuca, sorri para ela de olhos fechados, enquanto ela, sentada de pernas de índio ao lado dele, ri de alguma coisa qualquer que ele tenha acabado de contar.
ela, de repente, decide ser sua vez de falar algo.
começa a formar uma frase, muda de ideia no meio do caminho, inicia outra completamente díspar e afinal, acaba por enunciar um grunhido ininteligível, confluência de todas as coisas que queria dizer naquele momento.
ele olha para ela, sorri, repete o que ela acabou de dizer e cai na gargalhada.
ela sorri de volta, tentando disfarçar o constrangimento que ele achou tão divertido.

se ele apenas soubesse tudo que ela quis dizer com aquele único instante.

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das (nem tão) ordinárias ressurreições.

achei cá esse blog empoeirado, semi-decomposto pelos vermes digitais que o estavam a carcomer. e num esforço quase insano, meio cego, e orientado pelo desejo profundo de poder fazê-lo com gente humana, botei-o a viver de novo. só porque quis. (é, sou dada a vontades de quando em vez). então pega um copo, senta aê. vai, tira o sapato, se avexa não. bora trocar de mundo junto.
Ela segue. Não mais triste, nem mais feliz. Com os olhos acordados de uma criança que percebe o mundo ao qual, agora, pertence. Por vezes ama, ocasionalmente odeia, vez ou outra se entrega à solidão. Dá carinho com a mesma facilidade com que depois o esquece. Respira o dia com a paz agitada de quem sabe a finitude de sua rotinazinha café-com-leite.